Florianópolis (SC)
Em um cenário em que crianças e adolescentes passam cada vez mais tempo conectados, a violência sexual também migrou para o ambiente digital. Redes sociais, aplicativos de mensagens, plataformas de jogos e transmissões ao vivo tornaram-se espaços onde crescem casos de aliciamento, ameaças, extorsão e exploração sexual de menores.
O alerta ganha força neste 18 de maio, Dia Nacional de Combate ao Abuso e à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes. Dados do estudo Disrupting Harm in Brazil, realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), revelam que uma em cada cinco crianças e adolescentes de 12 a 17 anos no Brasil foi vítima de violência sexual facilitada pela tecnologia no último ano — um total estimado de cerca de 3 milhões de meninas e meninos.
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A desembargadora Cláudia Lambert de Faria, responsável pela Coordenadoria Estadual da Infância e Juventude (CEIJ) do Tribunal de Justiça de Santa Catarina (TJSC), destaca que muitas situações ocorrem de forma silenciosa. “Essa realidade exige atenção redobrada. Muitas situações acontecem de forma silenciosa e, muitas vezes, sem que os adultos percebam os sinais logo no início. Por isso, a proteção no ambiente virtual precisa fazer parte das conversas dentro de casa, das escolas e também das instituições”, afirma.
A magistrada aponta o diálogo como uma das principais formas de proteção e alerta para o silêncio das vítimas. “Muitas vítimas permanecem em silêncio por medo de serem repreendidas ou por acreditarem, de forma equivocada, que têm alguma responsabilidade pelo que aconteceu. A culpa, a vergonha e a pressão exercida pelos agressores podem fazer com que crianças e adolescentes enfrentem sozinhos situações de violência, ampliando ainda mais o sofrimento”, diz Cláudia.
Entre os sinais de alerta estão mudanças bruscas de comportamento, isolamento, alterações no sono, queda no rendimento escolar, agressividade excessiva ou timidez repentina.
Como ferramenta de apoio, o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) passou a contar, desde o início deste ano, com uma versão digital e atualizada. O ECA Digital reúne legislação, materiais educativos e conteúdos sobre segurança no ambiente virtual, direitos e canais de denúncia, com o objetivo de aproximar famílias, educadores e sociedade das medidas de proteção previstas na lei.
A desembargadora reforça que a proteção digital não é responsabilidade exclusiva das famílias. Escolas, instituições, Poder Público e sociedade precisam atuar de forma integrada. “A proteção começa no vínculo, no diálogo e na presença. Famílias que constroem relações de confiança e espaços seguros de escuta ajudam crianças e adolescentes a se sentirem acolhidos e protegidos. Muitas vezes, uma conversa atenta, um olhar cuidadoso e a certeza de que serão compreendidos podem fazer toda a diferença”, conclui.
Casos de violência podem ser denunciados de forma anônima pelo Disque 100.
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